Afecções Cervicais

Higroma Cístico

Não é lesão neoplásica

  • Malformação Linfatica na região cervical posterior
  • Clínica:
    • Lesão cística, multiloculada, elástica, transiluminação +
    • Efeitos de massa
  • Diagnóstico: Clínico +/- USG ou RM (se dúvida)
  • Tratamento:
    • Ressecção completa: ligadura de todos os linfáticos
    • Esclerose para lesões complexas: Bleomicina (se a ressecção possa resultar em danos, pode-se optar pela Bleomicina)

Cisto do Ducto Tireoglosso

Remanescento do ducto tireoglosso (normal é fechar)

  • Clínica: massa em linha média cervical, móvel a deglutição
    • Indolor, adjacente ao osso hioide
  • Diagnóstico: Clínico (USG se dúvida)
  • Tratamento: Cirúrgico (retirar cisto e trajeto do ducto)
    • Procedimento de Sistrunk (evita a recorrência)
      • Ressecção completa do cisto e de todo o ducto
      • Ressecção da porção central do osso hioide

Torcicolo Congênito

Fibrose e encurtamento do esternocleidomastoideo

  • Clínica:
    • Cabeça inclnada para o lado do músculo afetado e girada na direção oposta
    • Poucas semanas após o nascimento (condição isolada)
  • Diagnóstico: Clínico
  • Tratamento:
    • Fisioterapia
      • Exercícios de alongamento
      • Reorganizar o quarto do bebê (estimular olhar para o lado oposto)
    • Botox (refratário)
    • Cirurgia com divisão muscular (refratário)

Onfalocele

Comprometimento na região umbilical, sendo uma falha no retorno do intestino para a cavidade abdominal após a 10ª semana (se desenvolvem fora antes)

  • Clínica
    • Delgado / Fígado exteriorizado
    • Revestido por Membrana (é o peritônio)
    • Na cicatriz umbilical
    • Defeito grande (>4 cm)
    • Outras anomalias são frequentes
      • Trissomias (21, 13)
      • Cardiopatias
  • DIagnóstico: Clínico
  • Tratamento: Fechamento primário + redução gradativa
    • Na prática, reduzir tudo de vez aumenta a pressão intra-abdominal
    • Devolve gradativamente, recobre com um saco e a cada dia reduz um pouco o conteúdo
    • Escarificação da membrana (se muito grande)
      • Endurece a membrana para aumentar a resistência e espera a criança crescer pra conseguir reduzir todo o conteúdo

Gastrosquise

Defeito na formação da parede abdominal, evidente desde a 4ª semana.

  • Clínica:
    • Delgado
    • Não revestido por membrana (falha na formação da parede, sem peritônio)
    • À direita da cicatriz umbilical
    • Geralmente não é grande
    • Outras anomalias são menos frequentes
      • Se +: Atresia intestinal (por isquemia do tecido)
  • Diagnóstico: Clínico
  • Tratamento: Fechamento primário + redução gradativa
    • Na prática, reduzir tudo de vez aumenta a pressão intra-abdominal
    • Devolve gradativamente, recobre com um saco e a cada dia reduz um pouco o conteúdo

Trato Gastrointestinal

Atresia de Esôfago e Fístula Traqueoesofágica

Atresia = Descontinuidade do tubo (coto, derrepente atresia, coto após) Fístula = Comunicação entre duas cavidades por um canal que não deveriam se comunica

  • Classificação de Gross:
    • A: AE pura
    • B: AE com FTE proximal
    • C: AR com FTE distal (86% dos acometimentos)
    • D: AE com FTE proximal e distal
    • E: FTE em H (sem AE)
  • Clínica: Depende do tipo de Gross
    • Polidramnia, Sialorreia, tosse, regurgitação, cianose
    • só AE: abdome escavado
    • se FTE dista: distensão
    • Só FTE: Sintomas respiratórios
  • Diagnóstico Pré-Natal
    • USG: polidramnia, bolha gástrica pequena ou ausente
  • Diagnóstico Pós-Natal
    • Não passagem da SNG (10-15 cm)
    • Acúlmulo de contraste
    • Se FTE distal: Ar no TGI
  • Tratamento:
    • Drenagem contínua do esôfago
    • Antibióticoterapia
    • Avaliar IOT e ligadura de emergência da FTE
    • Abordar a atresia
      • Distância pequena (< 2cm): Só anastomosa
      • Distância grande: Jejunostomia para ganhar tempo e avaliar o tratamento adequado
    • Investigar malformações

Atresia Duodenal

  • Em 1:10.000 nascidos vivos
  • Clínica
    • Criança vomitando
    • Vômitos Biliosos (1º dia)
    • Polidramnia
  • Anomalias: frequente (cardiopatiam trissomia 21)
  • Diagnóstico: Clínica + Sinal da duplas bolha
    • Uma bolha no estômago e outra proximal à atresia (mas após o piloro)
  • Tratamento: Duodeno-duodenostomia (sutura em diamante)

Estenose Hipertrófica do Piloro

  • 1-3 / 1.000 nascidos vivos
  • Anomalias: pouca frfequência
  • Clínica
    • Vômitos não biliosos
    • 3º semana / faminta
    • Oliva Pilórica (palpável)
    • Lembrar de distúrbio hidroeletrolítico e ácido base (alcalose hipocloremica hipocalemica e urina ácida (retém HCO- por perda de ânion Cl-))
  • Diagnóstico: Clínica + oliva +/- USG (visualização da oliva)
  • Tratamento: Pilorotomia (Fredet-Ramstedt)

Anomalias Anorretais

Mais baixo é mais fácil anastomosar com o orificio anal e corrigir o defeito. (reparo primário)

  • 1:5.000 Nascidos vivos
  • Malformações associadas (frequentes)
    • Genitourinária (50%) e Cardiovascular (30%)
    • Gastrointestinal; SNC; Vertebrais
  • Tipos em Meninos
    • Fístula Perineal (cutânea)
      • Eliminação de Mecônio pelo períneo (fístula)
      • Trajeto submucoso (não abriu a fístula e foi descolando o trajeto)
      • Diagnóstico: Clínico
      • Tratamento: Reparo primário (defeito baixo), sem colostomia
    • Fístula Uretral (+ comum em meninos)
      • Uretra bulbar (baixa) - melhor prognóstico
      • Uretra prostática (alta)
      • Tratamento: Reparo primário ou colostomia e reparo tardio
    • Fístula Vesical
      • Reto se abre no colo vesical
      • Grave, complexo esfincteriano não desenvolvido e com malformações sacrais
      • Períneo plano
      • Tratamento: Colonostomia
    • Anus imperfurado sem fístula
      • Tipo menos comum; típico na Síndrome de Down
      • Reto termina há 2 cm da pele (defeito baixo)
      • Tratamento: Reparo primário
  • Tipos em Meninas
    • Fístula perineal (cutânea)
      • Saída de mecônio pelo períneo
      • Diagnóstico: Clínico
      • Tratamento: Reparo primário
    • Fístula vestibular (+ comum em meninas)
      • Pequeno orifício dentro do bestíbulo, posterior ao hímen
      • Vagina normal, uma abertura uretral normal e 3º orifício (fístula)
      • Diagnóstico: Clínico
      • Tratamento: Reparo primário (defeito baixo)
    • Cloaca (+ complexa)
      • Reto, vagina e uretra se unem em um único canal
      • Diagnóstico: Clínico (abertura única)
      • Tratamento: Colonostomia (depois avalia como vai resolver)
  • Conduta:
    • A criança tem alguma malformação grave? Resolver primeiro
    • (1) Reparo primário ou (2) Colostomia + reparo secundário/tardio?
    • Suporte + investigação de malformações
    • Aguardar 24h (se dúvida diagnóstica): Ver até onde gás chega
      • Gás acima do Cóccix (defeito alto)
      • Gás abaixo do Cóccix (defeito baixo)

Genitourinário

Criptoquirdia

Testículos não descidos (Ausencia de pelo menos um dos testículos)

  • 2-6%dos nascidos a termo; 30% dos prematuros
    • Destes 70% se posicionam no primeiro ano (geralmente nos primeiros 6 meses)
  • É fator de risco para câncer de testículo.
  • Diagnóstico: Hipotrofia da bolsa escrotal
    • Não palpar testículos: abdominal ou anorquia (bilateral)
      • Palpação no saco escrotal e canal inguinal
  • Complicações:
    • Sub ou infertilidade
    • Câncer
    • Torção testicular
  • Tratamento
    • < 6 meses: Espera descida espontânea
    • 6 meses: Cirurgia (Orquidopexia)

      • Descida espontânea improvável
      • Ideal: 6-12 meses
      • Prática: Fazer logo após o 12 meses (máxmo de 2 anos pela SBP)
    • Se hérnia inguinal: Corrigir sempre e aproveita para resolver criptoquirdia
    • Não há consenso sobre redução do risco de neoplasia

Fimose

Quando não se consegue ter a exposição completa da glande

  • Classificação de Kayaba
    • Grau I: Não expõe uretral ou glande
    • Grau II: Expõe uretra e glande parcial
    • Grau III: Expõe totalmente uretra e glande, mas persiste anel prepucial (maior risco de parafimose)
  • Tratamento
    • Até 3 anos: Espera
      • Evitar a exposição forçada
    • 3 anos: Postectomia

      • Não exposição após 3 anos; estético
      • Balanopostite de repetição; ostrução (balonamento), malformações RVU
      • Parafimose
    • Circuncisão neonatal não tem indicção médica
    • Corticoide tópico - Betametasona por 8 semanas
      • Sucesso em 67-95% dos casos

Escroto Agudo - Torção Testicular

  • Clínica
    • Dor testicular intensa, súbita, unilateral
    • Aumento de volume e hiperemia da região testicular
    • Mais alto, orientação transversa
    • Reflexo cremastérico diminuído
    • Sinal de PREHN negativo (elevar testículo não melhora)
  • Diagnóstico: Clínico
    • USG com Doppler: nunca atrasar a conduta
  • Tratamento
    • Cirurgia: corrigir a torção + fixação bilateral
    • Orquiectomia se testículo inviável + fixação contralateral.

Torção dos Apêndices Testiculares

  • Causa mais comum de escroto agudo
  • Quadro mais insidioso, menos intenso
  • Sinal do Ponto azul (isquemia de um único ponto)
  • Na Dúvida: cirurgia
  • Se afastar torção testicular: Conservador